Trad. James Winston Morris
A natureza real da "face" humana — ou melhor o "Olho" divino e Essência espiritual (ayn) o Espírito que é o Coração primordial de cada ser humano — e portanto das muitas referência corânicas do "voltar" a face em direção a ou para longe de Deus, é mais elaborada nesta passagem da Futuhat.
Pois a divina Presença está perpetuamente manifestando a Si mesma, e não se pode nunca imaginar Seu permanente velamento de Si mesmo de nós. Assim quando este coração falha em receber isto (divina Auto-manifestação) da direção do divino endereçamento louvável e revelador (nos falando), porque recebeu algo outro ao invés, então este ato de recepção de algo outro (que Deus) é o que é referido (nas escrituras) como "enferrujar", "véus", "fechamento", "cegueira", "ferrugem" e símiles. Pois de fato o Si mesmo Verdadeiramente Real está (perpetuamente) concedendo este conhecimento a ti no coração, exceto quando (teu coração) está (preocupado com) saber algo outro que Deus — embora os Sabedores de-e-através Deus saibam que em realidade (este coração distraído) também está realmente sabendo de, através de Deus.
Caner K. Dagli: THE RINGSTONES OF WISDOM
Em Sabedoria dos Profetas I-1, Ibn Arabi insinua a diferença entre duas espécies de ver: ver a si mesmo em si mesmo e ver a si mesmo em outra coisa. Deus vê Ele mesmo diferentemente quando Ele é manifesto a Ele mesmo através de algo, e a maneira como Ele aparece a Ele mesmo (ou seja, a «forma») será determinada pela natureza do espelho (o qual é «o locus visto»). Sem a existência do espelho e sem Seu autodescobrimento ao espelho Ele não seria capaz de contemplar Ele mesmo no espelho.
É preciso lembrar que de certo ponto de vista o espelho não é outro senão Deus Ele mesmo, pois todas as coisas não são nada mais que decorrências do Si Mesmo sendo Si Mesmo. É de nosso ponto de vista que falamos de Deus e do mundo, mas do ponto de vista do Si Mesmo Supremo só há o Si Mesmo.